MANIFESTO

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SE A VIDA NOS DÁ UM LIMÃO, NÓS USAMOS COMO COLÍRIO.

 

Vamos esfregar os olhos e despertar para a realidade. A bola de cristal estava com defeito. O futuro não é mais como era antigamente. Não temos carros cortando os céus, não moramos no espaço nem deixamos de ver TV. No turbilhão de adivinhações, a publicidade e veículos tradicionais tiveram o seu fim decretado. Fórmulas prontas para anunciar qualquer tipo de serviço ou produto seriam vendidas por sites colaborativos.

E, nesta leva de charlatanices, muitos mercados, anunciantes e até publicitários foram na onda. Se esqueceram que é sempre o novo, o surpreendente, o criativo que ganham espaço; tiraram da própria manga fórmulas surradas, repisando pegadas deixadas na areia. O príncipe virou sapo e a mulher para beijá-lo parecia banida do reino da fantasia. Marcas que entram neste barco seguem rumo ao naufrágio.

Se um produto deve ser preferido, é preciso dizer o motivo, e isto só a publicidade pode justificar; a ideia continua sendo o mais importante, independente do meio. Estamos carentes de uma profunda revalorização do ser humano, e junto com ela uma nova postura da comunicação publicitária. Máquinas desempenham exemplarmente suas funções, desde que programadas. Quem faz propaganda são, ou pelo menos deveriam ser, pessoas especializadas. Valorizar o clássico e ser vanguarda: é assim que evoluímos.

O encanto voltou. Está na hora de sacudir a poeira da cartola e acordar o coelho. Quem não se posiciona fica bêbado com o rápido giro do mundo. As divisões da semana em dias de trabalho e descanso, e do próprio dia em 24 horas, foram pulverizadas. Daqui para frente, só existe um longo e promissor dia para contar histórias que geram negócios. Novas previsões irão surgir. Só a originalidade nos faz renascer, como uma pessoa ou uma marca. O grande segredo é celebrar a diferença, olhar a mesa por baixo, polemizar.

Adaptar-se às condições impostas pelo ambiente é legítimo, mas por que não mudar o ambiente? O limão dado pela vida não tem como destino fatalista uma limonada. Pode ser um colírio cítrico, mesmo sabendo que os olhos vão arder, para depois estar limpos, nos permitindo ver o mundo com muito mais clareza.

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